O que fazer em Buenos Aires: roteiro completo para 5 dias

Decidimos viajar para Buenos Aires do nada, sem qualquer planejamento porque conseguimos uma promoção de passagens aéreas muito boa. A motivação de conhecer a cidade já existia, era antiga, mas vínhamos adiando. Como sempre, a primeira coisa que pensei foi: o que fazer em Buenos Aires num roteiro tão curto?

A melhor dica que recebemos de quem já visitou foi: apostem no roteiro clássico e na cozinha clássica. Não seguimos exatamente à risca. E foi a melhor coisa que fizemos. Saiba o por quê e confira as principais dicas no roteiro abaixo, criado e pensado para 5 dias e 5 noites na capital portenha:

Antes da viagem

Pesquisando em sites de turismo e a partir do próprio mapa de Buenos Aires, descobrimos que os melhores lugares para nos hospedarmos são sem dúvida: Centro, Recoleta ou Palermo.

É nestes bairros onde estão concentrados os principais pontos turísticos de Buenos Aires. Escolhemos o Centro porque é onde estão os principais teatros, restaurantes e monumentos históricos. Mas se você não gosta de muita gente, muita muvuca, e quer igualmente ter muitas opções em bares e vida noturna, além de ainda manter distância relativamente igual para outras regiões, então escolha Recoleta ou Palermo. No Centro pagamos 150 reais por diária pelo Airbnb num apartamento completo com vista para o principal símbolo de BA: Obelisco.

Dia 1 – o que fazer em Buenos Aires

Basicamente no primeiro dia, o que fazer em Buenos Aires se resume a passear, porque chega-se no fim da tarde e após um voo, que no nosso caso teve duração de 2 horas. Então saímos para conhecer o bairro e apenas dar uma passadinha nos pontos turísticos clássicos de Buenos Aires, mas sem investir muito tempo, já que estavámos cansados e já era noite.

Fomos até o Obelisco: ícone de BA e lembrança da fundação da cidade, além de símbolo do modernismo argentino. Seguimos para a Catedral Metropolitana, sede principal da igreja católica e na minha opinião muito mais linda à noite, para se fotografar, e, por fim, caminhamos até a Plaza de Mayo, praça mais antiga da cidade, símbolo da revolução, e onde se localiza a Casa Rosada, a sede da presidência e de muitas autoridades dos governos pátrios argentinos.

O jantar foi no Café Tortoni, um bar/café fundado em 1858 e que é considerado o mais antigo da cidade. Fica na Av. de Mayo e mantém a arquitetura rica e preservada da época. Em suas mesas de mármore sentaram-se grandes nomes, como Arthur Rubistein e Carlos Gardel. Tudo é muito bom, mas não deixe de provar o chocolate com churros. Eventualmente acontecem espetáculos de jazz e tango no local.

Nesta mesma noite terminamos de montar um roteiro base, mas não obrigatório de o que fazer em Buenos Aires. A dica pra quem for é baixar os aplicativos oficiais de turismo de BA: BA Turismo, um app que mostra as principais opções para pontos turísticos, gastronomia e programas culturais, BA Wifi, um app que te mostra as localidades da cidade que possuem conexão Wifi gratuita, BA EcoBici, o app que gerencia o aluguel das estações de bicicletas espalhadas pela cidade e, BA Cómo Llego, um app parecido com o ‘Moovit’ que mostra com exatidão todas as rotas e transportes disponíveis para cada ponto turístico da cidade.

E já que estamos falando em transporte, é muito importante que você compre assim que chegar em BA (caso não esteja de carro) os cartões pré-pagos do transporte público (ônibus e metrô) da cidade. Eles são vendidos em diversos pontos de vendas, todos identificados com o logotipo SUBE na vitrine. O transporte em Buenos Aires é muito barato, eficiente e abrangente.

Na verdade não há a menor necessidade de utilizar outros meios de transporte. Algo interessante de compartilhar e que descobrimos nos últimos dias de viagem é que se informarmos para o motorista o nosso destino, a passagem é cobrada porporcionalmente.

Ou seja, se você pegar um ônibus e percorrer uma distância pequena, o motorista te cobrará apenas parte do valor da passagem. Aliás não recarregue um valor muito alto no seu cartão. Recarregamos 200 pesos (cerca de 40 reais) e ao final da viagem ainda tínhamos 150 pesos de crédito, pois a passagem é realmente muito barata. A recarga pode ser feita no próprio Subte (estações do metrô) ou nas lojinhas com o logo.

Dia 2 – o que fazer em Buenos Aires

No segundo dia, nosso roteiro de o que fazer em Buenos Aires se inciava com um café na Starbucks (combo de café pequeno + 1 medialuna (Croissant) por 60 pesos (cerca de 12 reais)) e fomos para o Caminito.

O Caminito se localiza no bairro de La Boca e se trata de uma rua-museu tradicional de BA com vários restaurantes, lojinhas de arte e lembrancinhas, além de exposições de rua de artistas de diferentes estilos. É um lugar muito interessante e que vale a pena conhecer, em geral os produtos são baratos e os quadros de arte são muito bonitos.

A crítica porém fica em algumas armadilhas para turistas que nos deparamos. Por exemplo, logo que chegamos fomos surpreendidos por artistas de tango que vieram nos dar as boas-vindas e tirar fotos com nossos próprios celulares. Só que nenhum nos avisou previamente que cobraria por isso e acabamos por ter que pagar 100 pesos (20 reais) para cada um. O almoço também foi meio decepcionante, pratos muito caros e sem gosto de nada. Pagamos 680 pesos por dois pratos de massa à bolonhesa e 2 refrigerantes (cerca de 140 reais).

Seguimos para o Jardim Japônes, um lugar muito bonito, tranquilo e relaxante. Ele está localizado em Palermo e possuí várias pontes e esculturas que nos transportam para o Japão. Há também um lago com muitas carpas de cores diferentes, um local destinado para alimentação e reprodução dos peixes, além de muitos gatos que certamente não estão passando fome. Também há um restaurante japonês, o Centro Cultural e uma lojinha de artesanato.

Vale muito a pena visitar. O valor da entrada é realmente simbólico: apenas 95 pesos por pessoa (cerca de 19 reais).

Saindo dali fomos para Recoleta, para um programa no mínimo, exótico: o Cemitério da Recoleta. Na verdade o cemitério também é um ponto turístico muito popular entre os visitantes. É lá que está o túmulo de Evita Perón, uma atriz e grande líder política argentina que ainda hoje é considerada símbolo de inspiração e grande ícone do país. Há uma Freddo logo em frente, aproveite e experimente um dos helados (sorvetes) dessa grande e tradicional sorveteria argentina. O Dulce de Leche Vauquita, Coco con Dulce de Leche, Crema Americano, Sambayón, Mascarpone e Chocolate Freddo são deliciosos!

O jantar (depois da forca do almoço) foi na Kentucky, uma pizzaria com mais de 20 filiais que realmente surpreende pela comida boa e barata. Na verdade se você quiser economizar com comida, encontrará não apenas pizzas, mas também outros pratos muito bons e baratos por aqui. Pedimos 2 fatias grandes cada e pagamos em média 50 pesos por fatia. O jantar saiu cerca de 40 reais para duas pessoas. O vinho branco doce da casa também é bem barato e nada mal.

Dia 3 – o que fazer em Buenos Aires

No terceito dia, nosso roteiro de o que fazer em Buenos Aires se resumia ao incrível jardim: Paseo El Rosedal, em Palermo. O lugar tem uma coleção com mais de 18.000 rosas, além de estruturas e corredores de pedras muito bonitos, e um lago com pequenas ilhas e habitantes nada acanhados: os patos do parque. Não deixe de visitar porque realmente vale a pena, principalmente se você visitar Buenos Aires na Primavera. Dá pra tirar muitas fotos e selfies belíssimas.

Também vale a pena dar uma volta no lago de pedalinho. Quarenta minutos custam 100 pesos (20 reais) por pessoa.

Antes de seguirmos, tiramos um tempo para caminhar sem rumo e desbravar Palermo. O bairro é muito bonito e interessante. É o polo gastronômico mais ativo da cidade. Uma das coisas que aprendi em viagens é que conhecer os principais pontos turísticos é muito bom, mas conhecer os lugares desconhecidos dos turistas pode ser ainda melhor. Na verdade as vezes entramos num restaurante que ninguém recomendou e temos a melhor refeição da viagem. Isto não seria possível se não fugíssemos algum momento do roteiro e caminhássemos sem rumo.

Afinal de contas, hoje ninguém se perde tendo um smartphone com GPS no bolso!

Voltamos para o bairro Recoleta e fomos conhecer uma escultura metálica de flor com 20 metros e 18 toneladas que está localizada na Praça das Nações: Floralis Genérica.

A escultura encanta pela beleza mas principalmente pela proposta. Criada pelo arquiteto argentino Eduardo Catalano, a flor metálica é controlada por um sistema hidráulico e por celúlas fotoelétricas que simulam o movimento de abertura e fechamento de uma flor natural, conforme os movimentos do sol, estando mais aberta ao amanhecer e mais fechada ao anoitecer. Há também poltronas de descanso onde o povo se senta para ler ao sol ou simplesmente para sentir a brisa gostosa do vento enquanto admiram a criação do arquiteto.

O jantar ficou por conta de um restaurante localizado numa das esquinas da Avenida 9 de Julho (a principal avenida da cidade), e que eu nem me lembro o nome de tão ruim que era. Na verdade comemos muito bem e também muito mal nesta viagem. Dependia muito do preço. Pois o barato aqui (tirando as pizzarias que eram todas muito boas) realmente sai caro. Felizmente o jantar foi esquecido e ofuscado por uma das melhores cervejarias de Buenos Aires: Antares.

Sério, se você curte cerveja, então você precisa conhecer esse lugar. Cervejas artesanais de qualidade, boa música, ambiente descolado e ótima comida. Enfrentamos uma filinha na entrada, mas valeu muito a pena! E não, a cerveja não era cara. Não lembro exatamente quanto gastamos porque depois de alguns copos já estavámos mais pra lá do que pra cá, mas cada copo médio de cerveja custava cerca de 60 pesos.

Dia 4 – o que fazer em Buenos Aires

No quarto dia, mudamos um pouco o foco do nosso roteiro de o que fazer em Buenos Aires e resolvemos conhecer 2 museus da cidade: o Museu de Armas da Nação e o Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia. Infelizmente não pudemos visitar o primeiro Museu porque ele só abria de segunda à sexta e só fomos descobrir isso no dia, no sabádo.

Porém fomos até o Museu de Ciências Naturais e desta vez tivemos sorte. Estava aberto (14 à 19 hrs). Bom, o que falar do Museu? Logo que entramos, confesso que fiquei um pouco decepcionado. Algumas exposições estavam fechadas e as primeiras duas ou três esposições estavam mal cuidadas.

Não sei se falta manutenção no Museu, já que o valor da entrada é ridículo, apenas 40 pesos (8 reais). Felizmente outras exposições, como a dos Dinossauros, aves, osteologia, antrópodos e sala histórica estavam realmente muito bonitas. Fizemos fotos maravilhosas e apesar do desleixo aparente inicial, acabou por valer a pena a visita.

Seguimos o roteiro e fomos conferir a “extraordinária vista panorâmica da cidade” que o app oficial de BA nos prometeu, advinda da Torre Espacial do Parque da cidade, no bairro Vila Soldati, zona sul.

Gostamos muito… Só que não.

Primeiro que é basicamente uma viagem até lá: dois ônibus e quase uma hora até a chegada. Segundo: o caminho percorrido até a torre é extremamente feio, mesmo. E terceiro: a torre ainda estava desativada (sem qualquer aviso no app oficial). Ou seja, não pudemos subir no mirante e tampouco conferir a tal da vista, que sinceramente não acredito ser privilegiada, afinal de contas estavámos basicamente no “fim do mundo”. Então quando você for a BA, não perca seu tempo com a Torre Espacial do Parque da cidade. É furada!

Entretanto, há males que vem para o bem. O nosso programa de índio rendeu tanta fome que decidimos ir conhecer uma das pizzarias mais famosas e lotadas da cidade: Güerrin. E como descrever as pizzas daquele lugar? Gente, amor! puro amor. Acreditem eu sei do que eu tô falando, foi simplesmente a melhor pizza que já comi! A massa é bem grossa, mas é uma massa muito gostosa e nada pesada. Comemos 1 pizza grande metade Calabressa e metade Provolone A Los Cuatro Quesos. Com bebidas (1 garrafa de vinho branco Chardonnay) e tudo mais deu 520 pesos (cerca de 105 reais).

Depois do jantar maravilhoso, voltamos para o hotel, recuperamos a dignidade e nos arrumamos para assistir a um musical: Mahatma. Foi bem divertido, apesar de não ser de fato um musical (não contava uma estória), mas sim um show musical com coreografias e números circenses. O preço? 350 pesos por pessoa (cerca de 70 reais).

Dia 5 – o que fazer em Buenos Aires

Era o último dia e estavámos exaustos, praticamente com os pés inchados de tanto caminhar. Portanto reservamos este dia para ficar perto de casa e assim rever e tirar mais fotos nos pontos turísticos do Centro com maior tranquilidade (Obelisco, Catedral Metropolitana, Plaza de Mayo e Casa Rosada), além de visitar também o Teatro Colón, um dos teatros líricos mais importantes do mundo.

A tarde fomos almoçar e também conhecer o maior polo gastrônomico de Buenos Aires: Porto Madero. E lá que fica também a Ponte da Mulher, uma verdadeira obra de arte em forma de ponte giratória que representa um casal dançando tango (o mastro branco simboliza o homem e a silhueta curva da ponte, a mulher).

Porto Madero encanta. É um bairro bonito, moderno e que conseguiu transformar um porto de quase 200 anos numa região nobre, turística e com opções de cozinhas tradicionais que contemplam várias nacionalidades: argentina, italiana, japonesa, americana, entre outras. Além de almoçar, dá pra caminhar ao redor dos diques ou do Rio da Prata, aproveitando o sol e a brisa fresca. O café da tarde foi na lancheria Mostaza, que é tipo um MacDonalds argentino, só que muito melhor!

O sol se pôs e nos despedimos da capital portenha. A sensação que fica é que muito se aproveitou de BA, mas que certamente ainda tinha muito mais para se ver. Bom, fica para a próxima!

O que fazer em Buenos Aires - Pôr do sol Puerto Madero

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